Desafio Literário ( Maio 1) – Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross

E Aqui começa o meu mês preferido do desafio. Os livros históricos!
Para todos que terão preguiça de ler uma resenha grande, já deixo nessas primeiras linhas a minha impressão sobre o livro. Leia, compre hoje, leia amanhã. Sem uma obra como essa ninguém pode viver.
O livro já me cativou por ter tido uma excelente pesquisa da autora que tentou, dentro do possível, se ater aos fatos históricos. Além disso, o próprio romance nos prende, levando- nos aos relatos de uma época tão sombria.
O Ano é de 814, época de trevas na Europa, e tudo se inicia com o nascimento de uma menina em um povoado pequeno. Joana , notável por seu intelecto, revolta-se com a vida de mulher e resolve ser um homem.
Não é segredo para ninguém que assim disfarçada ela chegaria um dia a ser a responsável pelo trono de são Pedro, transformando-se no Papa João. Uma mulher de nossa época, presa nas amarras de um século de trevas.
Para quem não sabe, apesar de documentos relatando esse episódio, a Papisa Joana é considerada uma lenda. A Igreja Católica nega todos os fatos pertencentes a sua existência, que não são poucos.
Não pretendo duvidar ou não da igreja católica, muito menos entrar em atrito na questão de religião. Mas essa obra serviu para uma grande dúvida:
Quantos homens de nossa história poderiam ter sido mulheres? Será que Sócrates era na verdade uma dama compulsiva por envergonhar ao próximo?
Em uma época em que a mulher era considerada uma pecadora, infante ou objeto , a vida de um homem seria mais fácil, motivo pelo qual várias personagens de nossa história resolveram viver suas vidas como homens. Para essas, a prisão que o gênero impunha era tão limitador que era preferível negar a essência, e se transformar , para a liberdade. Joana D’Arc, Mary Reade e Hannah Snell são exemplos disso.
Algumas delas não se vestiram de homens mas desempenharam tamanha importância em suas respectivas áreas. Lou Salomé utilizou de sua sensualidade e deixou pensadores aos prantos (ou ao chicote) em uma época ainda dominada por homens. Camille Claudel, desempenhou com maestria grandes esculturas, “mesmo sendo uma mulher”, nas palavras da época.
Esse livro é sobre essas lutadoras. Uma leitura para mulheres, e para os homens que desejam conhecer a batalha do gênero feminino. Luta que não serviu para promulgar uma superioridade feminina, e sim apenas, reconhecer a sua validade, autenticidade, e importância em um mundo masculino.

Obs: Se um padre pudesse ler meus pensamentos enquanto eu leio obras que mostram os ideais da igreja católica no passado, eu já teria sido excomungada. Tenho sorte que eles não utilizam mais a fogueira. E se “apenas” 800 anos após Cristo já era aquela corrupção, chego a pensar se algum dia a igreja católica teve realmente o intuito de ajudar. Cada vez mais creio no ideal de Einstein,e por consequência ,de Schopenhauer sobre a religião.

O Livro deu origem ao filme, veja o trailer:

Eu imaginei o Gerold exatamente como o ator do filme, a descrição dele no livro era pra mim a imagem do  “Faramir”.

Obs2: Pra quem está perdido no tema de mitologia universal de setembro tenho uma boa dica  ” OLAM -Crônicas de Luz e Sombras”. O Livro é sobre mitologia hebraica, eu estou lendo e gostando muito. Clique aqui para ver o site do livro.

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Sobre Karla Kly

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8 respostas para Desafio Literário ( Maio 1) – Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross

  1. Michelle disse:

    Não conhecia essa história (sendo verídica ou não). Com certeza muitas mulheres se disfarçaram de homens para ter acesso a coisas que eram negadas a elas. Joana d’Arc foi a primeira que veio à minha mente quando comecei a ler sua resenha. Agora fiquei curiosa.
    Ah… se pudessem ler meus pensamentos sobre a igreja católica (a antiga e a atual) eu também já teria morrido na fogueira.
    P.S. Vou dar uma espiada nesse OLAM.
    bjo

    • Karla Kly disse:

      Engraçado é que as duas são “Joanas” né?

      Michelle, eu realmente amei o livro. Tudo fica ainda mais interessante pois o pano de fundo da história é o conflito de guerras por causa da morte do imperador Luís, filho do super conhecido Calos Magno. Não vou mentir, depois de ter pesquisado, a história parece muito mais verídica, se eu não me engano ela era aceita pelos historiadores até o séc XVI ou XVII… depois um papa mandou tirar dos livros…rs
      Pois é, sorte a nossa não ter mais fogueiras…hahahhaha

      Olam é muito bom sim, fiquei no início com aquele pé atrás por ser fantasia brasileira, mas foi um preconceito bobo e sem razão, o romance é muito bem construído 🙂
      Beijos!

  2. Ana disse:

    Eu vi um documentário no History Channel sobre esta papisa, mas o livro parece bem interessante. Ótima escolha!

  3. Adorei a premissa do livro, Karla. Quero ler, afinal é bom termos livros que nos faça perguntar o porquê dessa tão rara aparição das feminina na História. É bem sabido que muitas revolucionárias participaram ativamente dos períodos de guerras ao longo da história mundial. Obrigada por compartilhar essa excelente dica de leitura!

    Beijocas

    • Karla Kly disse:

      E é uma leitura muito gostosa Vivi. A autora escreve bem. E sim, nós sabemos que algumas mulheres foram ativas em eventos da história, mesmo assim tantas outras foram apagadas…
      beijos!

  4. Pâmela disse:

    Li o livro pela primeira vez em agosto de 2011 e me apaixonei pela história, pela Joana e, especialmente, pelo Gerold! Criei a necessidade de acreditar que ela realmente existiu… após a leitura, sofri para conseguir comprar o livro pela internet, mas quando o encontrei, comprei sem pensar duas vezes! Estou à procura de downloads para o filme 🙂

    • Karla Kly disse:

      Pâmela, entendo completamente a sua necessidade de que a estória seja uma história. Acho que esse é um dos livros que torcemos para que sejam reais pelo esforço dos personagens. Gerold é um verdadeiro cavalheiro e a Joana uma verdadeira lutadora.
      Tentou achar o filme pelo torrent? A legenda que é complicado…

      beijos!

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